Castelo de Almourol

Castelo de Almourol

A nossa viagem até ao castelo de Almourol começou da melhor forma… pois saímos já tarde e parámos na ribatejana vila de Almeirim.

Escolhemos o restaurante “O Toucinho”, e naturalmente, começámos pela típica Sopa da Pedra, seguida de umas costeletas de borrego grelhadas (Confesso que, cada vez que passo em Almeirim, penso em costeletas de borrego, apesar de ir sempre ao restaurante Pinheiro, mas este estava fechado para férias, e por isso optámos por esta nova experiencia.), tudo acompanhado com o pão regional, as “caralhotas”. Segundo a história, “O Toucinho” foi o primeiro restaurante em Almeirim a servir a famosa sopa da pedra. A comida estava bastante boa, o ambiente tradicional é bastante agradável e a simpatia e profissionalismo do atendimento é divinal, mas confesso que continuo a ser fã do “Pinheiro”.

Já de barriga cheia, seguindo viagem até ao castelo de Almourol…

O Castelo

A longa exposição
Castelo de Almourol

O Castelo de Almourol fica situado no concelho de Vila Nova da Barquinha, Distrito de Santarém.

Ergue-se num afloramento de granito a 18 metros acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 metros de comprimento por 75 metros de largura, no médio curso do rio Tejo, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere. À época da Reconquista integrava a chamada “Linha do Tejo”, atual Região de Turismo dos Templários.

Constitui um dos exemplos mais representativos da arquitetura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo. Com a extinção da Ordem do Templo o castelo de Almourol passa a integrar o património da Ordem de Cristo (que foi a sucessora em Portugal da Ordem dos Templários).

Nota: Caso desejem saber mais sobre os templários e as suas ordens, sugerimos a leitura do livro “Templários”, baseado na série com o mesmo nome do canal História.

As Lendas

Lenda de D. Beatriz e o Moiro

Aí pelos séculos IX ou X, era dono do castelo um senhor Godo chamado D. Ramiro, casado e tendo uma filha única de nome Beatriz.
Valoroso soldado era, todavia, rude, orgulhoso e cruel como a maioria dos senhores de sangue gótico. Ao regressar de uma das suas sortidas de guerra e orgulhoso dos seus feitos que em grande parte se cifravam em inúmeras atrocidades encontrou já próximo do Castelo duas moiras, mãe e filha, que embora infiéis reconheceu serem lindas como sua esposa e filha, que deixara em seu solar.
Fatigado da viagem e sedento, D. Ramiro interpelou as moiras para que cedessem a água que a mais jovem transportava na bilha.
Assustada pela figura e tom de voz do feroz cavaleiro, a pequena moira deixou que a bilha se lhe escapasse das mãos e quebrando-se, perdeu o precioso líquido que D. Ramiro tanto desejava.
Encolerizado e cego de raiva, este de pronto enristou a lança e feriu as duas desgraçadas que antes de morrerem, o amaldiçoaram. E porque surgisse, entretanto, um pequeno moiro de 11 anos, filho e irmão das assassinadas o tornou cativo e trá-lo para o Castelo. Chegado que foi a Almourol o moço viu a mulher e a filha de D. Ramiro e jurou fazer nela a sua vingança.
Passaram anos. A castelã adoece e pouco a pouco se foi definhando até morrer, em resultado do veneno que lhe vinha ministrado o cativo agareno.
O desgosto de evento leva D. Ramiro a procurar na luta contra os infiéis, refrigério para a sua desdita e parte confiando a guarda da sua filha ao jovem mouro, que fizera seu pajem, dada a docilidade e cortesia que o mesmo sempre astuciosamente revelara. Aconteceu, porém, que os dois jovens ignorando as diferenças de condições e de crenças, em breve se enamoraram, paixão contra a qual o mancebo lutou desesperadamente, mas em vão, dado que tal amor lhe impedia de consumar a sua vingança.
Mas não há bem que sempre dure e o enlevo e a felicidade dos dois jovens são desfeitos pelo regresso de D. Ramiro que se fazia acompanhar por outro castelão, a quem prometera a mão de sua filha.
O moiro, então alucinado e perdido, contou tudo a Beatriz as crueldades do pai, as promessas de vingança o envenenamento da mãe e a luta que travara entre o amor e o juramento que fizera.
Não se sabe o que se seguiu a esta confissão. Diz, entretanto, a lenda, que Beatriz e o moiro desapareceram sem que mais houvesse notícias deles. E D. Ramiro, cheio de remorsos e de desgosto morreu, pouco depois, ficando abandonado o Castelo, Conta a lenda que em certas noites de luar se vê o moiro abraçado a D. Beatriz e d: Ramiro a seus pés, a implorar clemência sempre que o moiro solta a palavra “maldição”.
Deste modo o viajante que por ali deambule, não deverá se surpreender se, em certas noites de luar, vir passar por entre as ameias as vestes brancas dos templários com a cruz de sangue sobre o peito de D. Beatriz e o moiro unidos por um abraço eterno. Talvez consiga ouvir mesmo, por entre o rumorejar das águas, os soluços de D. Ramiro.

Lenda de Almorolon

No século XII era senhor de Almourol um emir árabe chamado Almorolon, do qual pretendem alguns que o Castelo tomou o nome.
Nele habitava um moiro com uma filha, formosíssima donzela que adorava.
Quiseram os fados que a bela jovem se enamorasse dum cavaleiro cristão, a tal ponto que a paixão lhe revelou o modo e a arte de o introduzir de noite no Castelo a que se habituara, em repetidas incursões amorosas, franquear a porta deste a companheiros seus que perto emboscados aguardavam.
E assim foi o Castelo traiçoeiramente conquistado. Mas desiludida e triste vitória foi esta, que o emir e sua filha, estreitamente abraçados, lançaram-se das muralhas do castelo ao rio, preferindo tal morte ao cativeiro resultante de tão vi derrota.

Lenda de assalto ao Castelo

Ao Castelo vieram ter as princesas Miraguarda e Polinarda, com as suas donas e donzelas a que o gigante Palmeirim de Inglaterra deu hospitalidade e as tratou com a maior das atenções ainda que as tivesse suas prisioneiras.
Não tanto pela bela Miraguarda, essa que a natureza fez estremeada de bem parecer e formosura, mas antes pela sua dama Polinarda, Palmeirim tenta raptá-las e salta para a esplanada do castelo.
Mas aì estava o Cavaleiro Triste, vencedor dos maiores campeões daquela época e que era apaixonado por Miraguarda.
Desafiando Palmeirim para um passo de armas, o feriu tendo palmeirim de ser curado das suas feridas em uma vila a 3 Km do Castelo.
Entretanto o Gigante Dramusiando que anteriormente Palmeirim vencera, convertido à fé cristã se fizera seu amigo e companheiro, tendo notícias de grandes forças de Almourol quis medi-las com ele e venceu. Dramusiando ficou então senhor do Castelo e desde então ficou de guarda às princesas, obrando maravilhas de força e valor.

Utilidades

Kayak
Kayak
  • Para quem quer visitar o Castelo aconselhamos a informar-se bem sobre o horário pois tivemos algumas dificuldades na visita (deixamos aqui a nossa demonstração de desagrado, e apelo para melhoria, para com a entidade que gere as visitas do Castelo [pelo que nos disseram, a junta de freguesia de Vila Nova da Barquinha], pois os funcionários que encontrámos no Castelo não são simpáticos e gerem o horário das visitas a seu bel-prazer, encerrando o castelo mais cedo do que estipulado).
  • Há alturas do ano em que é possível atravessar a pé para o castelo, mas não é aconselhável, pois a entrada mais a passagem de barco custa 2,50€ (com a saída no cais de Almourol), e mesmo que atravesse a pé terá de pagar à entrada do castelo o mesmo valor.
  • Existem ainda outras opções para visita, com saídas de Tancos ou Vila Nova da Barquinha, com custos de 6€ e 10€, respetivamente. Estas opções obrigam a marcação prévia;
  • Uma última opção para a visita é através da descida do rio de Kayak, organizadas por empresas de aventura. Nós fizemos um passeio de kayak com a empresa “Green Roc-Outdoor Live”, que partiu de Constância, subindo alguns metros o Zêzere, até à junção com o rio Tejo, descendo depois até Tancos. Pelo caminho, parámos mais que uma vez para mergulhar, e ainda junto ao castelo de Almourol para permitir a visita; Nesta paragem, com direito a pão com chouriço e umas minis fresquinhas 😊. A entrada para o castelo através da participação nestas atividades custa apenas 1€ ao invés do preço normal. Foram cerca de 7km a remar, com uma vista deslumbrante das margens do rio. A equipa da Green Roc é super simpática e prestável, não descurando os restantes, mas o em especial o nosso guia Diogo foi incansável no apoio a todos. Fizemos várias paragens ao longo do rio para mergulhar e aproveitar o meio envolvente, e claro, o caminho de regresso a Constância foi efetuado através de transporte fornecido pela organização. É uma experiência a repetir, garantidamente. Foram cerca de 3h, 7km de dores nos braços, (confesso que não tenho muito jeito para remar e o Tiago é que sofreu com isso 😉) mas com certeza repetirei.

É nestas alturas em que dou por mim a pensar; adoro Portugal, é um pequeno paraíso, num cantinho do mundo…

Para mais informações sobre esta empresa de aventura, visitem a sua página de Facebook em @greenroc.pt.
Para mais informações sobre o castelo, visitem o website https://welcome-to.pt/turismo/castelo-de-almourol/ ou no Facebook em @CastelodeAlmourol.

A galeria completa do Castelo



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